Onde buscar recursos para financiar sua pesquisa?

Por Leonardo C. Oliveira e Deborah Faria

Um dos pontos importantes na formação de um pesquisador é seu treinamento na obtenção de recursos para financiar sua pesquisa. É verdade que muitas vezes os estudantes de pós-graduação começam sua pesquisa dentro de projetos já financiados, uma vez que seus orientadores obtiveram recursos para custear coletas de campo ou trabalhos de laboratório. Mas em outros casos o aluno entra no curso com uma boa ideia de projeto e, junto com seu orientador, vai em busca de recursos que possibilitem executar a proposta de pesquisa. O nosso programa de pós-graduação acredita que, para a completa formação de um pesquisador, aprender a procurar e conseguir recursos é uma etapa tão fundamental quanto saber teorias e aplicações deste conhecimento. Acredite nesta afirmação: “se quiser ser um pesquisador bem sucedido você terá que correr atrás e obter fundos para financiar sua pesquisa!”.

Felizmente existe uma série de financiadores para projetos de pesquisa na área de ecologia e conservação da biodiversidade, embora os recursos disponibilizados por estas agências sejam sempre menores do que a demanda. É preciso detectar quais são estas fontes, entender o perfil de cada financiador e aprender como submeter propostas que possam efetivamente competir em editais e chamadas, tanto no Brasil quanto do exterior.

É muito importante ter em mente que cada agência financiadora tem o seu perfil particular de pesquisa a financiar e, principalmente, seu próprio cronograma de submissão de proposta. De fato, o período entre a submissão e a efetiva liberação dos recursos pode ser de mais de um ano! Portanto, o primeiro conselho que damos aqui é: assim você ingressar no programa, comece a pesquisar o perfil e cronograma das agências, selecione aquelas que financiam projetos dentro do escopo da sua pesquisa e submeta as propostas o mais rapidamente possível. Tente várias agências para aumentar sua chance de aprovação em pelo menos uma delas. Portanto, mais uma vez, é preciso planejamento!


Ok, então como encontrar o mapa do tesouro?

Uma dica para começar, anote aí:

  1. Pegue 2 a 3 artigos que você acha essenciais para sua pesquisa (por serem similares ao seu projeto; mesmo bioma; mesma espécie etc.)

  2. Procure nos agradecimentos deste(s) artigo(s) as fontes de financiamento usadas pelos autores do mesmo. Devido a semelhança ao seu trabalho, a mesma fonte pode ser usada por você em seu projeto

  3. Faça o mesmo quando for a congressos. Os painéis apresentados nos congressos sempre trazem a fonte financiadora, que também é sempre citada no final das apresentações orais. A maioria dos resumos publicados em anais de congresso também possuem esta informação.

  4. Achando o nome do financiador nestas fontes, é só usar o Google para achar os links.

 

Para começar também colocamos alguns links de agências bastante procuradas na nossa área para financiamento, tanto no Brasil quanto no exterior:

No Brasil

A principal agência financiadora de pesquisa no Brasil é o CNPq, que costuma abrir editais específicos de acordo com o escopo das diversas demandas de pesquisa no país. Em particular destacamos o Edital Universal, aberto todo ano entre julho e agosto e que financia projetos em diferentes faixas.

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB) também funciona através de editais, e é uma boa opção para bolsas e recursos para pesquisa per se.

Além dos editais governamentais, existe, por exemplo, a Fundação Grupo Boticário que financia projetos de pesquisa ligados a área de conservação. Basta se cadastrar e seguir os passos.

No Exterior

A maioria dos financiamentos vem de agências internacionais, localizadas fora do país. Isso implica que é preciso relativo domínio da língua inglesa para que seja possível submeter propostas para estes financiadores. Mas isso não deveria ser um problema, uma vez que todos os alunos estão preparados para submeter seus artigos também em língua inglesa, certo? Ótimo, então aqui disponibilizamos:

A Idea Wild

Fornece apenas equipamentos de campo. É uma ótima opção pra quem precisa de equipamentos mais sofisticados com GPS; material de rádio telemetria e etc. A aplicação é bem simples e normalmente, países em desenvolvimento como o Brasil, tem uma certa “preferência” em receber tais equipamentos.

Rufford small grant for nature conservation

Oferece £ 6000,00 para projetos de pesquisa, principalmente ligados a conservação. Mais uma vez, o Brasil esta entre os países que aptos a receber este grant. A vantagem deste recurso é que ele pode ser renovado algumas vezes, dependendo do desempenho da pesquisa, e os valores vão aumentando a cada renovação.

International Foundation for Science (IFS)

Também apoia projetos de pesquisas na área de conservação no valor máximo de $ 12000,00. A aplicação é um pouco trabalhosa, mas vale a pena, pois a prestação de contas é bem simples.

Wildlife conservation society (WCS)

Até recentemente (2008), a WCS apoiava projetos de pesquisa no Brasil. O apoio foi suspenso por um tempo, mas agora, com um novo escritório no Brasil, existe a possibilidade de retorno a apoios a projetos de pesquisa.

Mohamed bin Zayed Species Conservation Fund

Este é um tipo de fundo especial para espécies ameaçadas de extinção. Financia projetos entre $5000,00 a $ 25000,00.

Future Conservationist Awards

Este fundo apoia projetos de jovens conservacionistas. Ele tem uma grande vantagem que é a continuação do financiamento, caso o projeto dê bons resultados. Ele financia projetos até $ 15000,00 na primeira etapa e até $ 50000,00 em caso de renovação. No link da instituição, você encontra outras fontes de financiamento. Excelente oportunidade pra quem esta começando a carreira de pesquisador.

Primate Conservation, Incorporated

Especificamente para species de primatas, este recurso de até $ 5000,00 mas com média de $ 2500,00 por projeto. Dependendo do seu projeto, este é um recurso complementar importante.

Save our Species (SOS Species)Um dos maiores fundos para financiar projetos de pesquisa e conservação de species ameaçadas, formado por três grandes agências financiadoras: IUCN ,GEFBanco Mundial. Se você pesquisa sobre espécies que constam na lista de ameaçadas este fundo pode ser particularmente importante para financiar sua pesquisa.