Aves que vivem próximas ao seu limite de distribuição são mais sensíveis ao desmatamento




O estudo – Distance to range edge determines sensitivity to deforestation – que foi publicado na edição de junho de 2019 da revista Nature Ecology & Evolution, demonstrou após avaliar 378 espécies de aves da Mata Atlântica que indivíduos de uma mesma espécie podem ser afetados de forma distinta pelo desmatamento. Especificamente, foi observado que populações localizadas próxima ao limite de distribuição da espécie são mais sensíveis ao desmatamento. Os autores observaram que para 24 das espécies analisadas, as populações próximas ao centro de distribuição conseguem sobreviver em paisagens com apenas 20% de cobertura florestal, enquanto as populações da mesma espécie que vivem próximas ao limite de distribuição necessitam de quase 50% de cobertura florestal. Um dos autores do estudo, o Dr. José Carlos Morante-Filho, menciona que “possivelmente tais populações podem ser pequenas e apresentar baixa variabilidade genética, características que as impedem de sobreviver em ambientes altamente perturbados”. Essa drástica variação na sensibilidade a perda de habitat observada pelo estudo tem importantes implicações para conservação das espécies. Por exemplo, foi detectado que as comunidades de aves da região sudoeste da Mata Atlântica são mais sensíveis ao desmatamento porque muitas espécies estão próximas ao limite de sua distribuição. De acordo com Morante-Filho, “nós ainda temos uma alta diversidade de aves nesta localidade porque essa região do Brasil ainda abriga grandes remanescentes florestais, como o grande bloco florestal da Serra do Mar.” Os autores ainda discutem que embora essa região tenha sofrido pouca perda de cobertura florestal nos últimos anos, uma estratégia de conservação seria criar grandes reservas e implementar a restauração de remanescentes florestais em áreas altamente desmatadas. No nordeste do Brasil, no entanto, a maioria das espécies presentes são mais resilientes à mudança de habitat. Isso ocorre porque muitas aves encontradas nesta região estão no centro de sua distribuição, portanto, dentro do seu habitat adequado. Entretanto, como a região nordeste é altamente desmatada, os autores sugerem que futuras estratégias de conservação devem ser adaptadas às espécies com alto risco de extinção e com populações localizadas em fragmentos florestais severamente perturbados.

O estudo foi liderado pelo Dr. David Orme e Dra. Cristina Banks-Leite, ambos do Imperial College London, Inglaterra, em parceria com outros pesquisadores, entre eles o Dr. José Carlos Morante-Filho, professor da Universidade Estadual de Feira de Santana e egresso e docente do núcleo permanente do PPG Ecologia e Conservação da Biodiversidade da Universidade Estadual de Santa Cruz. O artigo na íntegra pode ser visualizado no link: https://www.nature.com/articles/s41559-019-0889-z

O artigo foi tema de matéria no site OEco. Confira:

https://www.oeco.org.br/reportagens/aves-fora-de-sua-zona-de-conforto-sao-mais-vulneraveis-ao-desmatamento/

Foto: José Carlos Morante Filho


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